RESENHA: KITCHEN; VOCÊS GOSTAM DE BANANA? VÃO AMAR A AUTORA BANANA YOSHIMOTO

Olá, galera! Tenho tentado me tornar um colaborador mais ativo do blog, e por conta disso, como há um tempo fiz uma resenha sobre o livro “A Vegetariana” da autora Han Kang, desta vez, sem sair do escopo Ásia, resolvi trazer para vocês uma resenha do livro “Kitchen”, da autora Banana Yoshimoto.

Sim, desta vez é uma autora japonesa que faz parte do que nós podemos chamar de literatura moderna japonesa. Animados? Pois eu estou. Antes de falarmos sobre a autora, falemos, então, sobre a literatura japonesa em termos de tradução envolvendo o Brasil. Ao contrário do que eu falei sobre a literatura coreana na resenha passada envolvendo traduções, quando se trata de literatura japonesa este campo é melhor formado. Pois, além de termos uma gama de leitores mais difundidos entre nós, seja leitores de massa, como também acadêmicos, esse campo é mais preparado que o de literatura coreana. Talvez isso se dê pelo fato de o Brasil ser o país com o maior número de descendentes japoneses fora do Japão. Ou seja, uma hora ou outra nós iríamos acabar trocando figurinhas com a sua cultura, o que envolve, por senso comum, a língua.

Banana Yoshimoto, cujo nome de batismo é Mahoko Yoshimoto, nasceu em Tóquio, em 24 de julho de 1964, filha do poeta e militante de esquerda Takaaki Yoshimoto (1924-2012). (Informações retiradas do site Estação Liberdade). Originalmente o livro que aqui será resenhado foi publicado em 1988, no Japão, lugar onde iria abalar o campo literário não só por ganhar prêmios, mas por tornar-se distante do que os japoneses chamam de literatura pura (Kawabata, Mishima, Tanizaki, Kenzaburo Oe). Por conta disso, havia uma divisão, na época, em relação ao escrito de Yoshimoto, pois seu livro era classificado como literatura de massa, justamente por tratar de temas tão importantes para a sociedade, alguns até considerados tabus. Por exemplo, a autora vai tratar de depressão, amor, transsexualidade, cozinha e tragédia. Isso tudo em torno de personagens fortes, mulheres e mães. É uma trama e tanto, não? Vou ressltar que a edição que eu tenho e li foi publicada pela editora Nova Fronteira, em 1995, e eu considero uma das minhas edições favoritas, não só por gostar da história, mas também porque a edição é bonita. Além do livro Kitchen¸ a autora também tem publicado no Brasil o livro Tsugumi, pela Estação Liberdade, traduzido direto do japonês para o português o qual eu ainda não li, portanto, poupem-me dos spoilers, ok?

Ao falarmos de literatura japonesa modernas, não podemos deixar de tratar dos temas modernos que nela se instaura, principalmente um dos temas mais atuais da nossa sociedade: a depressão. Yoshimoto vai abordar este tema tanto na novela Kitchen quanto no conto Moonlight Shadow, ambos inseridos no mesmo livro. Antes que vocês pensem o quão progressista possa ser Banana Yoshimoto ao abordar este tema como um de seus livros, ela não é a primeira e nem a última a fazer isso. Talvez vocês o conheçam mais do que a própria autora que estou lhes aprensentado, mas Haruki Murakami aborda bastante a depressão em seus livros. Por mais que esse tema seja tabu para a sociedade japonesa por envolver diversos aspectos (sociológicos e culturais), ainda assim eles o fazem. É importante deixar claro que, diferente do que nós pensamos erroneamente sobre a depressão, a maneira como a Yoshimoto irá abordá-lo é diferente. Ela pode até trazer pequenos indícios sobre o tema da maneira que estamos “acostumados”, no entanto, não é o ponto central. Sua escrita irá trabalhá-lo de modo que, ao final de cada leitura, nós conseguimos depreender uma lição de moral. Parafraseando a autora em uma das passagens de Kitchen, conseguimos perceber que nem tudo está finalizado, ainda há vida, ainda há a lua cheia, bonita e clara para ser vista. Por isso, não fiquem com pé atrás para não levar a leitura do livro à diante, pois vocês irão se surpreender bastante, assim como eu me surpreendi. Não que eu esteja vendendo o peixe, mas Banana Yoshimoto é uma das autoras japonesas que eu mais tive o prazer de ler.

Além da depressão como tema, o que mais me instiga a motivá-los a ler o livro é a paixão que ela transpassa pela personagem e o amor dela amor pela cozinha. Interessante trazer o tema “comida” de novo para as minhas resenhas, porque a última foi sobre vegetarianismo, né? Pois bem, o livro começa com “o lugar que eu mais amo no mundo é a cozinha”, e é interessante a personagem dizer isso porque além do título já dar pistas do que pode acontecer durante a história, ela já pontua que dentre todos os lugares possíveis no mundo, é a cozinha que ela mais ama. É interessante pensar a cozinha, e isso eu preciso elogiar bastante a autora, porque ela traz a cozinha como algo simbólico que indica que é um espaço onde nós, muita das vezes, podemos reunir momentos agradáveis da nossa vida. Como assim, Tico? Você tá doido? Parem para pensar que a comida na maioria das vezes é o que traz felicidade a todos, então, porque também não ser o lugar favorito dela, já que é ele que remete à boas lembranças? Agora, não sei vocês, mas todo esse desenvolvimento que pode acontecer na cozinha só me animou mais e mais a ler o livro.

Para poder finalizar um dos temas, falarei da transsexualidade que a autora vai abordar em seu livro. Isso vai da minha opinião como LGBTQIA+ e como é a nossa visão de mundo atual. Se pararmos para pensar no momento em que o livro foi escrito, na década de 80 pra 90, no Japão, eu não só consideraria, como considero um livro mega rico nesse quesito de representatividade por questões de que: é uma mulher escrevendo numa sociedade hiper machista, que se formou assim e continua assim, e está escrevendo sobre  transsexualidade no Japão. Tema este que não é discutido, muito menos abordado em determinados lugares. Agora pode até ser, porque hoje nós temos pautas importantes para serem discutidas e que estão sendo discutidas a todo momento, mas naquele tempo? Se não era impossível, talvez fosse raro haver tal discussão. Por tais motivos, a maneira como a autora vai abordar esse tema e vai fazer você se apagar à personagem trans é, no mínimo, incrível de se ver. Portanto, leiam Banana Yoshimoto.

Por fim, depois de todo este textão, quem se dispôr a ler, é óbvio, espero que gostem da resenha, das opiniões pessoais que tecem a crítica em relação ao livro, e que eu possa influênciá-los a darem uma chance a autores asiáticos, ou melhor, do Sudeste Asiático, pois é o lugar onde tenho me “mantido” pelas resenhas. Se você já leu algo da Banana, seja em português ou qualquer outra língua, diga-me o que achou, se não, leia e venha dizer também. Deêm uma chance para este mundo incrível que é a literatura.

Mattane, galera! byebye!

publicado por: tico (@ttgo_s)

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