Tigresas do Kpop: Suzy em sua desventura em “Yes No Maybe”

Eu ouvi aí o que a Suzy tinha lançado como balada típica do kpop em conseguir a proeza de não adicionar nada em uma música e ser tão crua e sem tempero que você não consegue tomar gosto de ouvir, e por isso eu realmente não tinha expectativa alguma com o seu possível comeback. Eu torci muito para que “Pretend” não fosse o lead single do retorno da Lucy, mas por sorte ela decidiu lançar “Yes No Maybe“que é isso aqui:

Então o clipe da música tem uma história semelhante a proposta do que a Shiina Ringo fez em Nagaku Mijikai Matsuri, que não se preocupa em mascarar o roteiro entregando o desfecho logo de cara para chamar atenção do expectador com o que provavelmente vai ser desenvolvido naquele clipe. É uma tarefa bem mais arriscada, já que você sabe exatamente o que vai se passar no vídeo, então ele terá de compensar com uma série de acontecimentos que faça com que você fique entretido mesmo sabendo o que ocorrerá ao final, pois você quer saber o as causas para a consequência.

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O clipe ele tem uma edição onde em alguns momentos os efeitos vão fazer com que você tenha a sensação de estar dentro daquele mundo de LSD vivido por Lucy e o seu parceiro em questão. Perceba como o tempo corre no início do vídeo, mostrando como o corpo recebe essa droga de maneira intensa em seu organismo acelerando a um grau máximo e como ao final tudo vai ficando lento principalmente na cena do carro, onde nitidamente vemos outro efeito da droga no corpo, onde ele está tão acelerado ao ponto do que acontece ao redor soar lento demais para a protagonista.

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O roteiro é realmente instigante e você fica tentando entender todos os elementos que vão de fato girando ao seu redor, afinal, mostra também como é viver nesse universo de rebeldia e quebra de valores, ao ponto de termos uma cena de roubo em meio a uma lembrança turvada (quando a personagem estava drogada). E o ponto alto do vídeo é de fato como é que o rapaz morre de overdose da droga e aí é que vem uma série de interpretações para a cena final do vídeo desde situações metafísicas até mesmo a clichês de traições pelo fato da composição falar de amor proibido.

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O vídeo é dividido em dois estados a Lucy sem maquiagem e menos produzida, algo mais cru, como se ela estivesse consciente em todas as cenas que ela é retrata nesse instante e o outro momento que é ela produzida, caminhando pelas ruas – essas duas personas vão te confundir ao longo do vídeo já que ele é um retalho de memórias. Pessoas que se utilizam de drogas tem normalmente crises de humor e uma grande instabilidade emocional devido a dependência, e isso é notado quando cenas rápidas e desfocadas mostram ambos gritando um com o outro, após uma cena de amor.

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Em seguida vem Lucy caminhando pelas ruas completamente embriagada seja por alguma droga lícita ou ilícita, até ela realmente se drogar com algo mais forte e termos novamente cenas desfocadas no táxi. Durante esse momento onde ela vai “respirar ar puro” o seu amado tem uma crise convulsão na banheira morrendo afogado, e só sabemos o que acontece com seu corpo quando Lucy desperta de sua cama pegando o batom que é usado como transição entre o lúcido e o embriagado, porém ao invés disso ela se mantém “consciente“, enquanto limpa sua mão manchada de vermelho, com um corpo na banheira (o do seu namorado) e as pernas de uma outra pessoa, onde você pode criar uma conclusão que é de fato a própria da Lucy. O vídeo é cortado demais para você entender se Lucy está alucinando, sonhando ou faleceu em meio a um universo de LSD e uma amor rebelde e sem limites. Todavia ele sabe fluir e fazer com que você vá tentando juntar as peças do quebra cabeça e te dê aí várias opções para o final dele, sendo todas as opções ótimas e realmente fora da casinha para o que o kpop tem trazido de clichê.

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A canção “Yes No Maybe” deixa a desejar em uma ponte para o refrão mas elaborada, poderia existir algo que quebrasse mais esse ritmo que é presente em toda a faixa, dando a sensação por vezes de ser derivativa onde você precisa de fato dar mais atenção para a música para saber em qual verso ela se localiza além do refrão que sim é marcante e sabe realmente grudar em sua cabeça. O middle-8 também não trás nada de novo até mesmo os sintetizadores ensaiam trazer alguma alteração que é tão discreta que você nem deve notar de fato. E então quando ela poderia realmente criar um momento para a música crescer ao cantar acapella o trecho “yes no maybe“, todos os elementos característicos voltam. “Yes No Maybe” é homogênea demais não há diferenciações em seus versos, ela não se permite fluir mais e trazer momento distintos dentro da música, não a torna ruim, só faz com que seu potencial seja bem menor do que poderia ser, mesmo com toda a ousadia em entregar um pop mais adulto.

Escrito por JAPONESQUE DIVAS

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3 comentários sobre “Tigresas do Kpop: Suzy em sua desventura em “Yes No Maybe”

  1. JMB disse:

    Visto que é uma produção do próprio Asian Soul, esperava bem mais. Mas o saldo foi bem positivo. Bem melhor que aquela Pretendo chatíssima que ela lançou antes (que inclusive usarei de trilha sonora quando forem enterrar o miss A)

    Curtido por 1 pessoa

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